
Este filme foi um projeto de muito tempo... muito desejado desde meados de 99.. Nessa época fui muito incentivado por estudar cinema e roteiro. Estava num 'entusiasmo' compulsivo na idéia de fazer algo realmente sincero e genuíno no campo do desenho animado. Sentia necessidade de mostrar a beleza que eu via mesmo na feiúra do mundo que eu vivia. Eu desenhava, e nos meu desenhos sentia que meus traços recriavam o "belo". Esta voz de Platão encontrou o Seu Narciso (encontrou Briamonte, Adoniran e Cordeiro)...
O album "Terceiro Sinal" foi como um oráculo - misterioso, sedutor, requintado. Entre uma faixa e outra, deslizava-me Por um fio numa busca do "belo". Fui mais profundo, mais sincero, e veio como a Primavera, suave brisa morna, cheia de flores. Adoniran soprou nos meus ouvidos, o clarone cínico e provocador, e acordei ouvindo (e vendo) os primeiros acordes desta obra-prima: "Despejo na Favela" sob os veludos de Miguel Briamonte e Edson Cordeiro...
Neste instante, subi meu terraço, e vi as lajes, os varais de roupa ao meu redor, curioso à procura do alvorecer. O Verão, Aos Pedaços, coloria(m) mais a minha vida e aquecia minha esperança. "Tudo está tão belo!" Assim, todo o meu imaginário foi convocado, e as memórias de Gabiru me ajudaram a compor o mundo de Seu Narciso. "O Despejo..", é na verdade um resultado disso - de uma convocação do belo e do verdadeiro. Seu Narciso, este Platão, prefere abrir janelas em busca das respostas neste mundo escravizado pelo aborrecimento do tempo, "onde há máquinas de medir tempo", e reconhece, como Xerxes, um canto ao singelo, ao puro, a beleza simples da sombra de uma árvore.
"...e che sospiri la libertà!"
















































